Editorial
Sempre é possível melhorar

Meu avô dizia que o caminho mais curto para chegar à velha pracinha era contornando o quarteirão. Os anos passaram, o local passou por uma reforma e um atalho foi criado. Bastava segui-lo para chegar mais rápido. Mesmo assim meu avô insistia em continuar o antigo trajeto. Talvez fosse somente força do hábito. Afinal, após sempre seguir o mesmo caminho, realmente fica difícil fazer algo diferente. Porém, ele tinha algumas dores nas pernas e ora ou outra teria de aderir à nova realidade.
O mesmo aconteceu na pecuária, os tempos mudaram. O que era bom há dez anos pode não ter a mesma serventia hoje. Atualmente, além da paixão pela criação, é necessário que ela gere receita. E ter uma melhor produção está ao alcance de qualquer produtor. Não implica necessariamente investir altas quantias de dinheiro no negócio. Um bom exemplo: um criador comprou bons reprodutores, mas não notou um número de nascimentos desejado na monta. Algo deve estar errado. Será que, além de possuir uma carcaça excelente, estes animais realmente têm boa fertilidade?
Outro caso: um pecuarista acompanhava o abate de animais, que chegavam à terminação com quatro anos de idade. Era um pecuarista que não se importava muito com a qualidade dos reprodutores. Um dia decidiu comprar os tais dos touros ditos melhorados geneticamente. Torceu o nariz, pois os bichos eram um pouco mais caros do que costumava pagar. Os meses passaram. Andando pela fazenda viu uma desmama diferente, com qualidade acima do que estava habituado. Perguntou de quem eram filhos e o capataz disse que eram crias daquele touro mais caro. Os bezerros se tornaram novilhos e foram abatidos entre os 26 e 30 meses. Em média, morreram um ano antes dos demais da fazenda. Um ano a menos pagando remédios, sal mineral e capim. Sem contar que os animais estavam mais pesados.
Será que o investimento naqueles touros melhoradores valeu a pena? E quando se possui um bom animal e não se tem escala de abate, será que valeria a pena unir-se a outros criadores para tentar ganhar um pouco mais por estes produtos? No confinamento, realmente é necessário atentar a doenças típicas do inverno ou ao equilíbrio da dieta? E o frigorífico, ele sempre está do lado oposto ao do criador? São questionamentos, no mínimo, interessantes. E as respostas a todos eles estão presentes em mais esta riquíssima edição de AG – A Revista do Criador!
Aproveitamos para lembrar que esta edição carrega encarte para votação do Touro de Ouro, basta preencher e postar. É gratuito. Caso prefira, pode votar pela internet.
Boa leitura!
AG - A Revista do Criador
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