Guia do Criador


Uma edição que vale por 12. A publicação destaca análises anuais dos principais setores da pecuária brasileira.

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A Edição
 

Sobrou carne e faltou boi

É uma coisa louca, mas essa frase marcou o Encontro de Analistas, em São Paulo, e resume o comportamento do mercado pecuário em 2016. No ano passado, a expectativa mais otimista apontava uma arroba corrigida acima da inflação. Não aconteceu. Entretanto, continuou firme no decorrer do ano.

Tudo porque a crise político-econômica tratou de frear o apetite do consumidor, que preferiu frango e porco para acompanhar o feijão-preto. Mesmo assim, faltaram bois acabados para o abate e quem tinha esses animais (e também pasto) segurava para reverter a pressão de baixa dos frigoríficos, que amargaram uma margem de lucro apertadíssima.

Esse fato, somado à virada do ciclo pecuário, em mais um ano de retenção de fêmeas, potencializou o efeito dominó. As receptoras ano a ano registram prejuízos e as empresas tentam diversificar serviços, como a entrega de bezerros desmamados. Com mais fêmeas em estoque e baixo consumo de cortes bovinos, o mercado de bezerros apenas empatou custos e faturamento, prometendo um 2017 desafiador.

Apenas o fator seca pode reverter o prognóstico. Como consequência, a venda de touros não decolou, comercializando-se menos reprodutores e a uma média de preço menor. O retrocesso nos abates e a redução no peso das carcaças derrubaram o segmento de rações, que ainda viu a explosão dos preços do milho, seu principal ingrediente.

Já a venda de sal mineral deve terminar o ano com um espantoso aumento de 10%, impulsionado pelo sal proteico-energético, naturalmente utilizado na seca. Seria o efeito El Ninõ? Apesar do bezerro mais barato, o preço do farelo de milho e da casquinha de soja nas alturas colaborou para que o confinador permanecesse cauteloso. Só abateu quem praticou confinamento estratégico.

Foi um ano tenso, inclusive, para os exportadores de carne bovina. China não comprou tanto, os árabes preocupam e os embarques para os EUA devem ganhar ritmo apenas no segundo quadrimestre, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne Bovina (Abiec). Para o leite, a realidade não foi diferente, pois, além da crescente concorrência das importações de lácteos e custo elevado para alimentação das vacas, viu-se o preço pago ao produtor cair. Já a Caprinovinocultura continua vivendo seus dilemas e ainda não conseguiu se organizar para atender a crescente demanda por carne e leite de ovinos e caprinos.

Além das análises setoriais, o leitor acompanha nesta edição do Guia do Criador o balanço do Touro de Ouro, em sua oitava edição, e as colunas que fazem o sucesso da pecuária nacional, além de calendários, censos e tabelas importantes para tocar a atividade pecuária. Gestão é a palavra-chave para quem deseja permanecer na atividade daqui para frente.

Boa leitura e boas festas!

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